
Era apenas um cantinho de céu. Mas bastou aquela fresta para que a imaginação crescesse e tomasse conta do infinito. De repente, ela já estava na praia, deitada naquela areia branca e fina. Ela via as águas tranqüilas do mar, analisava sua cor azul transparente. Olhava para o céu, agora imenso, azul limpo e com algumas nuvens brancas formando um esplendoroso contraste. Depois, avistava as copas das árvores que fazem uma pequena sombra na beirada da praia. Sentia o cheiro verde do mato. E ficava com aquela dúvida cruel que assombra todo banhista antes do primeiro mergulho: entrar ou não entrar na água. Mas como se tratava apenas de imaginação, não relutou muito e se atirou na água salgada e fria. Saiu nadando, nadando, nadando... virou peixe.
1 comentários:
A imaginação era formidável, ela não mais se sentia humana. Toda vez que saltava para fora, parte de si retornava ao momento do que imaginava. E se fazia como sereia, e quando retornava às águas era toda peixe. Brilhante e rebrilhante de luz e profundidade. Era muito bom ser o que não era sendo imaginação. Um dia o pescador de sonhos se sentiu desejado em se juntar ao cardume de sonhadores, e se fez ao mar para percorrer os labirintos das profundezas e não quiz mais retornar à terra, ao barco, à pesca de sonhos porque era ele mesmo tudo o que sonhava. Aconteceu que imaginou, enquanto peixe que o céu azul daquele dia era o mar invertido, um espelhamento. Teve vontade de se ver refletido naquele mar e percorrer as nuvens, então saltou e se viu tal como fora no tempo que sonhara enquanto pescador de sonhos. Terrível momento quando se viu retomado de si, humano. Estava dividido entre céu e mar, estava peixe-homem ou homem-peixe. Mas logo adiante alguém acenou dizendo, a metade do que somos nos faz inteiros. E então ele se pescou a si e durante muito tempo procurou alguém tão semelhante. Já estava cansado, peixe antigo, e viu numa manhã que alguém retornava das águas. E como podia, num onirismo inesperado,imaginou amar o imaginado.
Postar um comentário